Abdômen

abdomen

ABDÔMEN – CONSIDERAÇÕES MÉDICAS FUNDAMENTAIS

(ABDOMINOPLASTIA)

A Abdominoplastia tem por objetivo corrigir a flacidez do abdomen e reforçar a parede abdominal através da costura (plicatura) da sua estrutura músculo aponeurótica. Havendo hérnia umbilical, será a mesma eliminada. A cirurgia retira todo o volume de pele desnecessária, mas nem sempre o excesso de gordura sobre o estômago, o que irá depender tanto de ser o tronco do tipo longo quanto da espessura adiposa que reveste o corpo.

Esta cirurgia, embora retire certa quantidade de pele e de gordura, não deve ser vista como um procedimento dietético. Não será a redução do peso corporal – a variar de acordo com o volume do abdomen – que definirá o resultado, mas tão somente as proporções que o abdomen vier a manter em relação ao restante do tronco e demais membros da região.

Existem alguns fatores na evolução da cirurgia que não dependem da atenção do cirurgião plástico, e, portanto, “não lhe será possível garantir resultados”. Assim, por exemplo, a qualidade de cicatrização que o(a) paciente irá apresentar está intimamente ligada a fatores hereditários e hormonais, além de outros elementos, que poderão influenciar no resultado final de uma cirurgia, sem que o cirurgião possa interferir.

Como a Abdominoplastia não elimina eventuais excessos de gordura em áreas vizinhas do abdomen, a harmonização global de toda a região pode ser conseguida por um tratamento clínico ou fisioterápico ou ainda mediante uma cirurgia complementar de Lipoaspiração, que poderá ser realizada no mesmo ato cirúrgico nas regiões laterais ou posteriormente na parte anterior abdominal. A manutenção do resultado irá requerer exercícios físicos específicos para o abdomen, além de regime dietético caso a (o) paciente tenha propensão para engordar.

A evolução pós-operatória contempla o aspecto cicatricial e a nova realidade abdominal em termos de forma, volume, consistência, sensibilidade etc.

Quanto à cicatrização:

Da Abdominoplastia com transposição umbilical resultam duas ou três cicatrizes:
A que decorre do corte horizontal logo acima da implantação dos pelos pubianos, prolongando-se lateralmente em maior ou menor extensão, dependendo do volume do abdomen a ser corrigido e a forma circular decorrente da transposição umbilical.

Muitas vezes uma cicatriz vertical mediana correspondente ao fechamento do orifício da cicatriz umbilical.

Evolução das cicatrizes:

Período Imediato : vai até o 30º dia e a cicatriz apresenta excelente aspecto, pouco visível. Alguns casos mostram discreta reação aos pontos ou ao curativo. Pacientes obesas podem começar a eliminar, após o 8º dia razoável quantidade de um líquido amarelo (seroma) por um ou mais pontos da cicatriz. Dá-se ao fenômeno o nome de “lipólise”e nada mais é do que a liquefação da gordura residual próxima à área da cicatriz. O pequeno inconveniente é tratado com um dreno de sucção nos primeiros 7 dias, ao fim dos quais, persistindo o líquido após a retirada do dreno, o cirurgião o erradicará mediante punção.

Período Mediato : Do 2º ao 12º mês, apresenta espessamento natural da cicatriz, mudança na tonalidade da sua cor, passando do vermelho para o marrom e, aos poucos, clareando. É o período menos favorável e, portanto, o mais preocupante.

Período Tardio : É nesta fase, entre o 12º e o 18º mês, que a cicatriz vai se tornando mais clara e menos consistente até atingir seu aspecto definitivo.
É tecnicamente inaceitável qualquer avaliação do resultado antes do 18º mês.
Certos pacientes, em função de rações orgânicas especificas, apresentam anomalia na evolução cicatricial, produzindo cicatriz hipertrófica, queloideana, hiper ou hipocromica, alargada. Pela mesma razão podem ocorrer edemas, seromas, derrame sangüíneo, hematomas, fibrose, necrose, infecção insensibilidade e eventual excesso residual de pele, por falta de contratilidade assimetrias. Todos esses fenômenos poderão ser corrigidos após o 3º mês, mediante retorque, ou outros métodos tais como radioterapia, compressão, corticoterápia. Nestas circunstâncias, as despesas serão reduzidas às proporções do novo procedimento cirúrgico.

Na Abdominoplastia sem transposição umbilical não subsiste a cicatriz ao redor do umbigo, que apenas desce de 1 a 2 cm de altura e passa a ser fusiforme.
Quanto à nova realidade abdominal :
Nos primeiros meses, o abdomen apresenta relativa insensibilidade, além de sujeitar-se a períodos de inchaço, os quais regridem espontaneamente. Poderá ter um aspecto de “esticado” ou “plano”. No decorrer dos meses, iniciados os exercícios orientados para modelagem, vai aos poucos se delineando a aparência final. O resultado definitivo, em termos de volume, consistência, sensibilidade e estética, somente será alcançado no chamado período tardio, entre o 12º e o 18º.
É tecnicamente inaceitável qualquer avaliação do resultado antes do 18º mês.
A gravidez contraída eventualmente após o 18º mês não irá necessariamente comprometer o resultado da Abdominoplastia, o qual poderá ser preservado desde que o peso seja controlado na nova gestação.

No entanto:

a) Caberá ao ginecologista afirmar da conveniência ou não de nova gravidez.

b) É nosso conselho que a mulher cumpra toda a sua programação final antes de se submeter a uma Abdominoplastia.
O ato cirúrgico dura em média 3 horas e meia, a internação varia de 24 a 48 horas e os pontos deverão ser retirados a partir do 7º dia, conforme a evolução do caso.
Será de fundamental importância para a consecução do resultado que a (o) paciente cumpra as recomendações pré e pós-operatórias a seguir explicitadas, fornecendo assim sua cota de responsabilidade no pleno atingimento do sucesso operatório.

É importante o esclarecimento, ainda, sobre os seguintes pontos:

• Poderá haver inchaço na área operada que, eventualmente, permanecerá por semanas, menos freqüentemente por meses e, apesar de raro, poderá ser permanente.

• Poderá haver alteração da pigmentação cutânea com aparecimento de manchas ou descoloração nas áreas operadas que poderão permanecer por alguns dias, semanas, menos freqüentemente por meses e raramente permanentes.

• A ação solar ou a iluminação fluorescente poderão ser prejudiciais, no período pós-operatório.

• Poderá haver líquidos, sangue e/ou secreções acumulados nas áreas operadas, requerendo drenagem e/ou curativos cirúrgicos e/ou revisão cirúrgica em uma ou mais oportunidades.

• Poderá haver áreas de pele, em maior ou menor extensão, com perda de vitalidade biológica, por redução da circulação sanguínea, acarretando alterações, podendo levar a ulcerações e até necrose de pele, que serão reparáveis através de curativos ou até em novas cirurgias, objetivando resultado o mais próximo possível da normalidade.

• Poderá haver áreas de perda de sensibilidade nas partes operadas. Tais alterações poderão ser parciais ou totais por um período indeterminado de tempo e, apesar de raro, poderão ser permanentes.

• Poderá haver dor ou prurido (coceira, ardor) no pós-operatório em maior ou menor grau de intensidade por um período de tempo indeterminado.

• Ocasionalmente, poderá haver transtornos do comportamento afetivo, em geral, na forma de ansiedade, depressão ou outros estados psicológicos mais complexos.

• É certo que tabagismo, uso de tóxicos, drogas e álcool são fatores que eventualmente não impedem a realização de cirurgias, mas podem determinar complicações pós-operatórias.

• No pós operatório imediato a cicatriz resultante e uma linha, mas poderá em alguns casos no pós operatório tardio torna-se grossa, desviada, retrátil, assimétricas, não podendo ser rotulado como má técnica, falta de habilidade do cirurgião e sem o fator determinante e o fenômeno cicatricial de cada paciente.

• É sabido que durante o ato operatório existem aspectos que não podem ser previamente identificados e, por isso, eventualmente necessitarão de procedimentos adicionais ou diferentes daqueles inicialmente programados.

• Caso haja necessidade de cirurgias complementares para melhorar o resultado obtido ou corrigir um insucesso eventual, está claro que os custos de material, da instituição hospitalar e de anestesia não são de responsabilidade do cirurgião e sim do paciente, mesmo quando não se estabeleçam honorários profissionais.